Furtos em aeroportos: o preço da distração

Graduado em engenharia, especialista em segurança de patrimônio e diretor comercial do Grupo Segurança/ Security Vigilância Patrimonial.

Por Erasmo Prioste

A cena se repete com frequência no Aeroporto Internacional de Guarulhos (Cumbica): o passageiro fala ao celular, folheia alguma revista, toma um lanche ou faz o check-in despreocupadamente. Quando volta a atenção aos seus pertences, percebe que foram furtados. É o preço da distração no mais movimentado aeroporto do País. Segundo dados da Infraero, de janeiro a maio deste ano, quase 13 milhões de passageiros passaram pelos dois terminais de Cumbica, e com a chegada das férias de julho, a movimentação cresce expressivamente, exigindo ainda maior atenção com os pertences - conselho que vale não só para esse, como para os demais aeroportos brasileiros, que já movimentaram 77 milhões de passageiros de janeiro a maio deste ano.

No primeiro quadrimestre, segundo a Secretaria de Segurança Pública, houve 514 casos de furtos registrados em Cumbica, contra 385 no mesmo período do ano passado - um aumento de 33,5%. De acordo com a pasta, as ocorrências incluem furtos a pessoas, veículos, mochilas e violação de malas.

Certamente, a grande movimentação nos aeroportos atrai os criminosos - muitos deles identificados como estrangeiros (a maioria, latino-americanos) e reincidentes -, contudo, a falta de atenção dos passageiros é fator crucial, transformando quem está distraído em uma potencial vítima. No caso de Cumbica, como mostra o circuito interno de vigilância, geralmente os bandidos agem em duplas, nos horários de pico. Para não levantar suspeitas, se fazem passar por passageiros, apresentando-se bem vestidos, portando bagagens e, muitas vezes, com o passaporte na mão. Seus lugares prediletos são as áreas próximas aos caixas eletrônicos, praças de alimentação e máquinas de autoatendimento de check-in.

Raros são os crimes nos aeroportos em que ocorre violência ou ameaça: a grande maioria dos casos registrados é de furto simples. Desta forma, seguindo algumas dicas de comportamento, é possível fazer uma viagem tranquila, sem transtornos. A primeira delas é redobrar a atenção com os pertences, - nunca os perdendo de vista -, nos locais de maior atuação dos criminosos. Além disso, é importante ficar atento ao ser abordado por estranhos, uma vez que a conversa pode ter o objetivo de distrair o passageiro de sua bagagem.

O usuário com dúvidas deve dirigir-se aos balcões de informação ou solicitar ajuda a funcionários identificados com crachás e uniformes. Não tomar informações com estranhos é uma recomendação que deve ser seguida tanto nas áreas internas, quanto nas áreas externas dos terminais. E no caso de algum pertence furtado, o usuário deve procurar imediatamente um policial para comunicar a ocorrência ou pedir ajuda a um segurança ou funcionário do aeroporto.

As autoridades devem reforçar as orientações no sentido de alertar os passageiros quanto ao descuido com seus pertences, ao passo que os usuários precisam ter uma nova postura nos aeroportos, desenvolvendo a cultura do comportamento preventivo. Afinal, a segurança é uma responsabilidade de todos.