Amigos de Corumbá

Engenheiro corumbaense residente em Campo Grande

Por Cleber de Oliveira Junior

O amor não se mede por números, por distância, ou por presença, mas pelo sentimento profundo que emana do coração. Independente de que seja amor de uma relação ou de um lugar, não importa, amor é o que fortalece as lembranças, afaga a saudade e cria a esperança de encontros e reencontros.

É isso que essa fantástica ferramenta chamada Face Book está proporcionando por estas terras, mais especificamente para os corumbaenses. A amiga Denise Zinézi Duque leu pensamentos, provocou a auto-estima, invocou os sentimentos mais profundos para os conterrâneos e criou a página "AMIGOS DE CORUMBÁ", para delicadamente, deliciosamente, construir um caminho de recordações através de imagens e fatos registrados diariamente pela internet.

Somos assim. Criativos, irreverentes, determinados, bisbilhoteiros, abelhudos, sinceros em nossos sentimentos e saudosos das coisas que deixamos para trás ou que foram se perdendo com o tempo, com o progresso e com o desenvolvimento, necessário pela chegada da modernidade.

Amigos de Corumbá. Proposital, porque acolhe os corumbaenses, mas também os ladarenses, os sulmatogrossensses e os muitos, milhares de apaixonados por nossa Corumbá, que se espalham por esse Brasil. Estamos todos interligados, e viva o Face Book, viva a internet e as lembranças que as memórias trazem pela vida a alimentar sonhos de oportunidades que batem à porta das nossas mais remotas esperanças de que todos possam se fortalecer nos laços de amizade, sobretudo de amor a essa terra branca.

Ao recordar a infância em Corumbá, cada coração se sente mais perto do rio Paraguai, do restaurante no vagão da N.O.B., das palmeiras da avenida, dos paralelepípedos da Rua Frei Mariano e até do querido Frei que rogou a praga da tal sandália. Os pensamentos voam pela Ladeira Cunha e Cruz, entram nas igrejas Matriz da Candelária e Maria Auxiliadora, permeiam os caminhos do GENIC, Maria Leite, Salesiano, Julia Gonçalves Passarinho, e tantos outros lugares.

Batem bola nos canteiros, jogam botões pelas calçadas, rolam os carrinhos de madeira e rolamento nas ruas esburacadas, tocam nas fanfarras, vestidos elegantemente com seus uniformes e calças de linho, tocam violões e guitarras, passeiam pelas vielas, ruas, avenidas e becos, e cantam nos festivais, trazendo o que a saudade lentamente foi esparramando pelos cantos da vida.

Se a vida se resumisse em saudade, certamente a maioria delas seriam de Corumbá, dos tempos em que os picolés eram vendidos nos carrinhos e os padeiros tocavam suas estridentes buzinas gritando: "Olha o pão doce"! Grandes carnavais de confetes e serpentinas, de magistrais enredos que mostravam encantos de uma pureza sem igual, de uma cidade distante, beirando o rio Paraguai, entremeada por morros, belezas naturais e gente hospitaleira.

O grupo AMIGOS DE CORUMBÁ abre portas e janelas, aproxima amigos e conterrâneos, estabelece vínculos e reacende as paixões, os costumes, as saudades, mostrando que apesar da modernidade, apesar da distância, somos todos unidos pela mesma memória.

Essa não se apaga e será um legado para as futuras gerações.